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mateusvelloso:
1.1…
Mateus, como eu falei antes, nós tivemos que resolver o problema de outra forma na época (tem mais de um ano isso) e não pudemos esperar por outra solução. Se os consultores contradados foram incompetentes, aí eu não sei… pelo menos eles e a empresa contratada eram “certificados” pela M$.
Eu mantive contato com o pessoal dessa empresa que eu trabalhei e pelo que me disseram parece que o problema com as sessões já não existe mais, desde algumas versões atrás do .Net. Mas de qualquer forma, preferiram não usar sessões, para não terem um re-re-trabalho, e porque a confiança da tecnologia nesse ponto ficou abalada.
Pena que eu só vou estar de volta ao trabalho na segunda-feira, senão eu iria te mandar um link da MSDN falando sobre alguns objetos HTML que não existem no Asp.Net sem motivos muito claros. Tentei procurar agora mas não consegui achar, porque o sistema de busca do MSDN realmente acaba com a minha paciência… retorna coisas que não têm nada a ver com o que eu perguntei…
Vc tem algum link que tenha texto falando sobre isso?
Quando tivemos os problemas com validação que eu citei, nós chegamos ao ponto de ter que fazer manipulações diretamente no código javascript gerado em runtime pelo Asp.Net. Foi muito ruim fazer isso, porque o código gerado, até hoje, tem uma aparência muito “porca”. Me desculpe falar dessa forma, mas essa é a minha opinião pessoal. Vou fazer um comentário a respeito do que envolve isso, no final.
Existe também um produto similar mas pra C#, se eu não me engano o nome é SharpDeveloper, que tem um acabamento bem melhor que o WebMatrix, mas não é da M$. Acho que o WebMatrix poderia ter uma atenção maior, porque ele tem alguns problemas muito básicos.
Entendo o que vc quis dizer, mas eu acho que a comparação não é totalmente válida. O uso do Excel é um milhão de vezes mais genérico e amplo do que o do VS.Net, talvez isso justifique as porcentagens que vc colocou, mas não vamos entrar no mérito dos detalhes. Eu concordo com o que vc falou, mas eu continuo achando que o VS.Net tem opções demais pro que se propõe. Realmente, nesse ponto entraríamos em outro assunto porque eu acho que isso acontece pelo perfil da M$ querer criar coisas extremamente fáceis pra qualquer tipo de usuário. Dependendo do âmbito de aplicação dessas facilidades a coisa pode se tornar boa ou ruim. Pro Excel pode-se dizer que foi bom, mas pro VS.Net foi ruim, na minha opinião.
Eu tenho uma opinião a respeito disso. Talvez até me crucifiquem por causa disso, mas vamos lá:
Eu trabalho no mercado M$ desde 1998. Desde então já trabalhei com desenvolvimento, teste de software, engenharia de localização de software, um pouco de infra-estrutura, entre outras coisas. Com isso, eu fui criando uma opinião sobre qual é a diferença entre profissionais M$ e não-M$. Falando de uma forma curta, o perfil que eu sempre vi de quem trabalha com M$ geralmente é daquele tipo de profissional que não se importa nem um pouco com o que está fazendo e da forma como está fazendo. O que importa na verdade é o resultado final, a satisfação do cliente e o dindin no bolso o mais rápido possível. Por outro lado, os profissionais não-M$, e mais especificamente Java, têm um perfil, digamos assim, “romântico” de trabalho. É o cara que está preocupado não só com a lógica de negócios, mas em como o produto está sendo criado, está sempre com um olho no futuro pra não criar potenciais problemas para um eventual crescimento do produto e se interessa em saber como as coisas funcionam por trás dos panos, tentando sempre ficar minimamente dependente de outras coisas pra resolver seus problemas.
Qual é o perfil certo? Quem está certo, quem está errado? Existem muitos poréns nisso. Muitos acham que o que importa é a satisfação do cliente e ponto. Outros acham que tem que haver o meio termo entre os dois… enfim, é um assunto imenso.
Vejam bem: esses tipos de perfil que eu falei são de pessoas que trabalharam comigo até hoje. Principalmente de profissionais M$, e não foram poucos. Lógico que no mercado M$ existem ótimos profissionais e no mercado não-M$ também existem péssimos profissionais. Mas até hoje o que eu vi na prática foi o que eu citei.
Um exemplo: uma vez eu fui contratado para fazer manutenção e desenvolvimento de módulos num grande sistema que tinha partes em Asp tradicional e partes em Asp.Net. No dia que eu fui entrevistado eu fui almoçar com o dono da empresa e, papo vai, papo vem, eu perguntei pra ele se usavam alguma metodologia, modelagem etc e qual. Ele me olhou com uma cara de “tá maluco?” e falou “Nada disso! Aqui é pensou, escreveu. Rodou, entrega pro cliente!”. Durante os meses seguintes eu sofri por causa disso, porque basicamente a parte em Asp.Net era apenas uma imensa classe de ± 10mil linhas que fazia tudo. Fazer manutenção era uma gracinha…
Nessa mesma empresa eu ainda passei por uma outra situação onde um dos funcionários questionou de forma rude o planejamento que eu estava tendo com outro rapaz a respeito de uma nova funcionalidade. Resultado: esse funcionário acabou assumindo essa parte. Terminou em uma semana, beleza. No mês seguinte precisou fazer uma grande alteração e levou mais um mês e meio, porque teve que reescrever praticamente tudo, pois foi fazendo de qualquer jeito no começo. No final, eu e o outro rapaz provamos por A+B que do jeito que estávamos planejando isso não teria acontecido. Levaríamos uma semana no máximo, os dois, pra terminar, e menos de uma semana pras alterações necessárias. Por pouco o funcionário não foi demitido.
Isso sem falar que um dos bancos de dados dessa empresa tinha mais ou menos 50 tabelas sem nenhum relacionamento entre elas. A justificativa: “os relacionamentos estão dando muitos problemas, então decididos remover todos e tentar fazer a integridade via código.”
Outro bom exemplo que eu tenho foi quando eu trabalhei com Localização de Software. Nessa época eu tive contato direto com pessoas de dentro da M$. Fiz os projetos de localização do Office, Office Online, Windows, entre dezenas de outros produtos. Acho que foi nessa época que a ficha caiu de fato: a M$ não é nada mais que uma empresa como outra qualquer, mas em proporções maiores. Tem gente tapada como qualquer outro lugar, comete erros bisonhos como qualquer outra, não tem metodologia nenhuma etc…
Também trabalhei com um rapaz de redes que odiava Linux, porque dizia que “tinha que configurar muita coisa. No Windows eu dou 3 cliques e pronto”.
Na própria MSDN Magazine saiu uma entrevista com um desenvolvedor .Net radicado nos EUA, dizendo em um ponto porque tinha desistido do Linux: “é muita coisa pra estudar. No Windows é tudo mais fácil”.
Até hoje todos os sistemas feitos com tecnologia M$ que eu dei manutenção eram muito mal construídos. Sem planejamento nenhum e com pseudo-arquiteturas próprias no estilo bacalhau com batatas. Foi azar meu pegar só projetos assim? Ou a maioria É assim? Não sei.
Então, durante esse tempo todo eu percebi que, na maioria esmagadora das vezes, o profissional M$ tem uma base teórica mínima, muitas vezes nenhuma, enquanto que profissionais não-M$ ocorre totalmente o contrário.
Por que isso acontece? Na minha opinião por causa da filosofia da M$ de tornar tudo mais fácil pra todo mundo, inclusive suas tecnologias de desenvolvimento. Com isso, pessoas com preparo zero podem se aventurar em VBs e ASPs da vida, e fazer coisas que chamam de sistemas. Muitas dessas coisas torturaram a minha cabeça muitas vezes. Por esse motivo também, a remuneração pra profissionais M$ geralmente é bem menor.
Pra concluir esse ponto (ufa…) eu digo que a minha opinião a respeito do que vc falou sobre “falar sobre o negócio” é justamente a falta de preocupação do profissional M$ com o que acontece por trás dos panos em um sistema.
PS.: Estou generalizando mesmo. Senão, teria que triplicar o tamanho do texto. Mas eu tenho consciência das exceções dentro do que eu estou falando.
PS2.: Renato, acho que respondi à sua pergunta com isso, confere?
PS3.: Falei a palavra profissional(is) 10 vezes!
Esse é outro ponto que me irrita na M$: a cada momento surge uma solução pro mesmo problema, mas sem padronização nenhuma, isso quando não é cópia, como o Hibernate. Aí, esqueça o que vc aprendeu antes e aprenda outra coisa totalmente nova, do zero. Isso aconteceu do VS 2002 pro 2003, vai acontecer com o 2005 de novo e também quando o LongHorn sair.
Às vezes quando eu navego no MSDN eu fico assustado com a quantidade de funcionalidades novas que são criadas em pouquíssimo tempo. Muita coisa de segurança, muita coisa de configurações específicas, atualizações de funcionalidades incompatíveis com as anteriores… Menos 1 pra credibilidade.
Sim, Java também tem muito produto pra mesma coisa, mas pelo menos a maioria segue a mesma teoria. Isso sem falar na imagem totalmente voltada pro lado profissional da coisa, ao contrário da M$, que só quer saber de marketing. Muito ruim.
M$ e padrões: eu não entendo até hoje porque a M$ reluta tanto em adotar padrões, metodologias etc consagradas no mercado. Sempre quer criar uma tecnologia própria. Pra quem é profissional “híbrido”, isso é péssimo!
Eu vejo muito isso nos artigos do Mauro Santana. Ele adora alfinetar os outros… vive dizendo que o padrão SQL é vergonhoso, que o W3C não sabe o que faz com os seus padrões, entre outras baboseiras. Gostaria de ver ele falando a respeito do padrão próprio de *HTML que o IE tenta impor ao mercado há anos, antes de ele criticar o W3C.
Há algum tempo atrás eu vi um artigo de gente da própria M$ criticando a UML, e dizendo que iria criar uma linguagem de modelagem própria… prontamente, James Rumbaugh respondeu às críticas de forma bem firme. Pra que isso? Só pra ser “diferente”? Lógico que a UML tem os seus problemas mas acho que isso não justifica criar uma coisa totalmente nova pra só pra ser diferente. Odeio essa postura…
Eu acho que muitos dos problemas que acontecem com as tecnologias da M$ são mostras de uma certa “imaturidade” por parte da empresa. Tudo bem, muitos dos problemas já foram solucionados, mas eles não deveriam sequer ter existido nas versões públicas, como o problema das sessões por exemplo. Nesse caso, como eu falei, a confiança na tecnologia cai.
Bom, não concluí o texto do jeito que eu queria, mas eu dei a essência do que eu penso a respeito disso tudo. Tô tonto de sono já e não aguento escrever mais… :S[/size]